quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A História é um lugar estranho (Japão, 1945)

 
 
 
 

Estava a passar por ali e vi um menino de uns dez anos, mais ou menos, com um bebé preso na suas costas. Naqueles dias, no Japão, era uma imagem habitual das ruas: crianças com os seus irmãos pequenos atados às costas. Mas aquele menino tinha algo diferente. Parece que esperava alguma ordem ou a sua vez.

Estava descalço e a expressão de seu rosto era muito dura. A cabeça do seu irmãozinho estava inclinada de lado, num sono profundo. O menino permaneceu assim durante mais de cinco minutos.

De repente, alguns homens vestidos de branco e com máscaras aproximaram-se dele e desataram as correias que sustentavam o bebé. Nesse momento senti um frio na espinha ao dar me conta de que estava morto. Apanharam-no e depositaram-no em cima de uma pira funerária onde queimavam os corpos.

O menino ficou ali, sem fazer um movimento, a olhar as chamas. Mordia o lábio inferior com tanta força que chegou a sangrar. Depois deu meia volta e foi embora sem dizer um A.
 
Joe O’Donnel, autor da fotografia (aqui e aqui)
 
 

Inspiração?

 
Steve McCurry, Afghan Girl, 1985


Santuário Kasuga Taisha, em Nara.








Fotografias de José Nunes Liberato






De olhos em bico - 2

 


De olhos em bico - 1

 



Portugal vai para o estrangeiro.

 






Almas do Outro Mundo, por Amadeu de Freitas.

 
 
 
 
Reatemos. Alla Kardec começou pela instrucção primaria do espiritismo: − fazer falar uma meza.

Monsieur Michelin.

 
 
 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Debaixo de Manhattan.

 
 
 
Anda tudo encantado – e bem – com um livro de Erling Kagge que já aqui referi, creio eu. Silêncio na Era do Ruído, muito ao gosto new age e da filosofia light, para o que contribui, e muito, a personagem do autor, «a fascinating man», como o descreveu o The New York Times. Jurista, filósofo, explorador averbado no Guinness, editor de sucesso, coleccionador de arte contemporânea, Kagge fala das filhas com a ternura de pai extremoso e vive numa casa soberba em Oslo, rodeado de quadros e beleza. Depois, claro, a sua própria beleza física, o seu olhar a um tempo distante e profundo, olhos que viram mundo, estiveram no Pólo Sul, no Pólo Norte, olhos que subiram ao Evereste. E, como remate final da lenda, o facto de ser nórdico, de uma região que está tão fashion e onde supostamente reside a maior percentagem de felicidade do planeta. Vem isto a propósito de um livrinho que comecei a ler e que é, até agora, muito engraçado e merecedor de atenção. Chama-se Under Manhattan, é escrito por Kagge e polvilhado por muitas fotografias de Steve Duncan, um dos seus companheiros desta aventura subterrânea. Em Silêncio na Era do Ruído Erling Kagge já falava desta expedição de cinco dias pelos canais de esgotos de Nova Iorque, com direito a uma escalada furtiva à Williamsburg Bridge. O livro não tem a tonalidade elegíaca de Silêncio na Era do Ruído nem se entrega a especulações divagantes. Aqui, a deambulação é puramente física, e narrada como uma aventura nos trópicos ou uma viagem ao centro da Terra. As vias que seguiram, as dificuldades de percurso, a preparação do mergulho no lixo e nos excrementos de milhões de animais humanos, os túneis centenários plenamente conservados, as criaturas que vivem onde o sol não chega. Um livro muito interessante, repito, que distrai e serve de lenitivo calorífero quando o frio aperta e a chuva, que é tempo dela, nos retém em casa.  

 


 
 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A memória de Ustica.

 
 








Fotografias de António Araújo

 

Signore e signori, buona sera. Brevi comunicazioni sul volo dalla cabina di pilotaggio. Stiamo procedendo a una quota de 7500 metri e circa due minuti fa abbiamo lasciato l’isola di Ponza per volare in linea retta su Palermo, dove stimiamo di aterrare fra circa mezz’ora. Il tempo procedendo verso sud è in miglioramento, per cui a Palermo è previsto tempo buono. Visibilità ottima, temperatura 22 gradi. La nostra rota: da Bologna via Firenze, Bolsena, abbiamo lasciato Roma sulla nostra destra, poi Ponza, come vedete La nostra velocità rispetto al suolo è di circa 17mila nodi. Grazie. Ladies and gentlemen…
 
(registo de voz do piloto do voo Itavia IH 870)
 
Depois, a explosão. Oitenta e uma vítimas mortais. 27 de Junho de 1980. O DC-9 da companhia aérea Itavia, levando a bordo 77 passageiros e quatro tripulantes, partindo de Bolonha com destino a Palermo, na Sicília, voou durante 51 minutos até desaparecer dos radares. Poucas horas depois, os destroços eram resgatados no mar Tirreno, nas imediações da ilha de Ustica. Como sempre acontece em Itália, sucederam-se as teorias de conspiração, os boatos propalados em surdina, os rumores tenebrosos. Nunca se soube a verdade. Resta a memória dos 81 mortos, preservada num estranho e singular museu em Bolonha, a que poucos vão. Os guias turísticos descrevem o Museu da Memória de Ustica como um lugar «bizarro» e, não por acaso, figura no Atlas Obscura, atroz inventário de tudo quanto mais estranho existe neste mundo de Cristo. Em redor dos destroços da aeronave, o artista francês Christian Boltanski construiu um espaço de memória, onde 81 aparelhos negros, pendurados nas paredes, transmitem incessantemente as vozes das vítimas, os diálogos a bordo do Itavia IH 870, que repousa em estilhaços diante do nosso olhar silencioso, de assombração e espanto. No Museu, objectos pertencentes às vítimas, cujas famílias o Estado italiano teve de indemnizar (há uma associação de familiares das vítimas). Seres comuns, desconhecidos, que agora recordamos num local propositadamente intrigante, que nos suscita até a pergunta sobre se um museu como estes deve existir, qual o seu sentido e propósito. E, aprofundando a autoflagelação, interrogamo-nos que fazemos ali, aqui, a observar os pedaços rasgados de um avião caído em 1980, numa tragédia de que já nem nos lembrávamos.   

Annecy.

 


Fotografias de Onésimo Teotónio de Almeida

 

Montras de Milão.

 
Fotografia de António Araújo

 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Cape Cod, USA.

 
 
Fotografia de Onésimo Teotónio de Almeida
 

Montras de Milão.

 
Fotografia de António Araújo

 

Montras de Milão.

 

Montras de Milão.

 
Fotografia de António Araújo
 

Montras de Milão.

 
Fotografia de António Araújo
 

Montras de Milão.

 
 
Fotografia de António Araújo

 

Montras de Milão.

 
 
Fotografia de António Araújo
 

domingo, 14 de janeiro de 2018

São Cristóvão pela Europa (52).

 
 
Guy Tarade é um divulgador de teorias conspirativas, especializado em discos voadores e civilizações extraterrestres. Francês, nascido em 1930, publicou em 1976 um livro intitulado As Portas da Atlântida.
Nesse livro atribui a Cristóvão Colombo o propósito de, com base em documentos antigos, procurar vestígios do Continente perdido da Atlântida. E aborda a auréola de mistério que o rodeia, atribuindo a sua aceitação na corte ao facto de ser um iniciado da ordem dos Cristóforos.
Considera os Cristóforos uma elite da maçonaria dos Templários e que São Cristóvão era o seu símbolo.
Segundo o autor "São Cristóvão era suspeito aos padres da Igreja. O hoje bom protector dos automobilistas tinha para os hermetistas um sentido simbólico que irritava os fiéis da fé, uma fé simples".
 
Descreve a história do colosso de Notre Dame de Paris, e cita os casos de imagens que escaparam à destruição, nomeadamente a de Amiens  (já aqui apresentada). E refere que a Catedral de Sevilha conserva um São Cristóvão colossal pintado em fresco.
 
 
José Liberato